Não adianta ter ginga, fãs bonitas e corrente dourada no pescoço. Jogador que é bom mostra isso em campo.
Na comunicação, funciona igualzinho. É na adversidade do cotidiano que se mostra a capacidade de pensar estrategicamente e, o principal, de golear (ou, se preferir, chame de realizar, solucionar, conquistar...).
A verdade é que, ao menos no mercado regional, vê-se muitas agências fazendo o feijão-com-arroz na hora de chutar pro gol. O VT-de-30-segundos-na-novela-III parece garantir um melhor resultado (nem que seja para o leite das crianças) do que qualquer alternativa que tenha mais chance de tirar o fôlego do consumidor, de fazê-lo torcer ou entrar no jogo (porque já faz tempo que o público saiu da arquibancada pra participar do processo criativo).
Fico me perguntando se essa falta de inovação está ligada à pressa que costuma estar presente no dia-a-dia das agências. O famoso “é pra ontem” pode até ser um gás a mais, nunca uma desculpa. E não é só para inovar que falta
“tempo” (ou vontade), é para atitudes preliminares como refletir, discutir, se envolver. O pior é que
a gente se acostuma a fazer sempre o mesmo.
Quantas vezes você viu alguém trabalhando apenas para ganhar o salário no fim do mês? Não que seja errado, não me entenda mal. Só que quem trabalha com comunicação precisa mais que isso. Precisa de doses de envolvimento e porções de ousadia.
Se você acha que não, veja o que disse a
Revista Época, em uma reportagem sobre a
Inovação no Brasil (Edição 8 – out/2007):
“[...] nas sociedades inovadoras há competição livre e um viés forte para experimentar e aprender com a experiência – uma forma saudável de se lidar com o erro. Sociedades não inovadoras tendem a se apegar ao certo, ao sem risco, ao garantido.”
Parece óbvio que onde há inovação há experimentação. O que não está muito claro, porém, é até quando as jogadas ensaiadas e repetidas “garantirão” o resultado.
Já é hora de ser jogador. E nem precisa só se fazer gol de bicicleta. Experimente fazer o torcedor levantar e dar um olé. Deixe-o ficar alguns segundos sem respirar. Permita que ele chute a bola junto com você. Faça dele um multiplicador. E não tenha medo de chutar...
...com foco no gol.